terça-feira, 1 de setembro de 2009

ACIARIA E INDÚSTRIA DE CELULOSE: POLÍTICOS USURPAM AUTORIA DOS PROJETOS

Observei, pela cidade de Imperatriz, alguns outdoors dando conta de um novo “corredor de desenvolvimento” pelo fato da implantação de uma aciaria em Açailândia e pelo projeto da implantação de uma indústria de celulose em Imperatriz, puxando louros para o Governo do Estado, como se fosse uma decisão de governo ou que o governo tivesse um peso decisivo nos adventos, até porque vi também uma faixa na Av. Getúlio Vargas próximo ao entroncamento com a seguinte inscrição “Parabéns Governadora, pela indústria de celulose”.

A população de um modo geral pode até agradecer a Governador, Ministro, Deputado ou até a Prefeito e Vereador. Todos querem tirar uma “casquinha” dessas decisões arvorando-se de pai, mãe, tio, avô ou até “amante” dos projetos. Isto é esdrúxulo!

Mas a comunidade acadêmica tem o dever de esclarecer que uma decisão desse peso é tomada com o mais absoluto padrão técnico e econômico-financeiro. Nenhum político tem qualquer participação nisto.

A Gusa Nordeste e a Suzano jamais aprovariam um investimento de 1,3 bi e 3,5 bi respectivamente se eles se mostrassem inviáveis sem os benefícios fiscais oferecidos pelo governo do Maranhão ou de qualquer outro estado.

O aspecto "Localização" segue a rigorosos estudos de logística desde a obtenção da matéria-prima, passando pela existência de mão-de-obra até o corredor de escoamento do produto. Os incentivos fiscais são apenas incentivos. Se os projetos não estivessem salvaguardados de toda a ambiência favorável para sua instalação, não seriam meros incentivos fiscais que os fariam sair do papel.

Ademais, a instalação desses projetos não significa por si só que haverá Desenvolvimento Regional. É preciso fazer estudo minucioso do escopo e das externalidades que os mesmos carregam para identificarmos indícios de promoção de Desenvolvimento. Existem questões sociais, de geografia humana, antropológicas, distributivas, ambientais, enfim, toda uma gama de variáveis que precisam ser analisadas. Esse é o trabalho da comunidade acadêmica. Alguém se habilita?

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