Quando o assunto é campanha eleitoral, temos visto estratagemas os mais diversos para “convencer” o eleitor e solapar o seu voto. Vimos apelos de todo tipo. Uns levam a mãe e os filhos para o horário eleitoral – emocionante! -, outros levam o pastor ou o padre – aff! -, outros levam deficientes físicos ou pessoas idosas – comovente! – e por aí vai.
No meio das igrejas evangélicas – política não era coisa de crente – dizem até que é pecado de desobediência não votar no candidato do pastor ou do ministério da igreja. E como muitos incautos acreditam que os “anjos da igreja” têm a revelação de Deus, convém obedecer para não serem condenados com o mundo.
Nesta campanha de 2010 percorre pelas igrejas um candidato a deputado estadual com o seguinte estratagema:
1 – sabe que o evangélico não aceita – a Bíblia também não – casamento ou união civil gay ou mesmo a prática homossexual;
2 – chega na igreja e diz que tramita no Congresso Nacional projeto de lei para aprovação do casamento de gays, a exemplo da Argentina;
3 – diz que a candidata do PT Dilma Rousseff é a favor e que ela vai fazer de tudo para que a lei seja aprovada, insinuando, inclusive, que Dilma seja lésbica – absurdo!;
4 – diz que, ao votar, as pessoas dão uma procuração em branco para que o deputado o represente em todas as votações;
5 – pergunta se a igreja votaria a favor do casamento gay e esta responde: - Não! Ele pede para repetir e ouve agora mais forte: - Não!!;
6 – aí apela para que a igreja vote em um candidato crente que tenha o Espírito de Deus e, nesta ocasião, se insinua ser a solução para isso;
7 – diz que a igreja tem uma grande responsabilidade para não deixar que leis como essa venham a ser aprovadas e promove uma sessão de “consagração do voto” convidando a todos para ficarem de pé e aí faz uma oração selando o compromisso de “consagração do voto” deixando a todos com a palavra empenhada diante de Deus – ou “deus, o candidato” –;
8 – e aí é só sair para o abraço.
Primeiro: o casamento ou união civil de homossexuais deve sim ser discutido com toda a serenidade pelo Congresso Nacional ouvida a sociedade brasileira, tomando o cuidado de, se resolverem compactuar com essa idéia - pecado segundo a Bíblia Sagrada -, deixar a igreja desobrigada de aceitar essa situação e desobrigada de omitir o assunto em suas pregações, uma vez que crente de verdade prega o que está escrito na Bíblia. Senão vão ter que aprovar verbas para construção de presídios para pregadores do evangelho, os quais não se conformarão com os modelos impostos por este século.
Segundo: questões dessa magnitude são de competência do Congresso Nacional, onde serão chamados para votar os Deputados Federais e Senadores;
Terceiro: o candidato pleiteia uma vaga de Deputado Estadual e, portanto, sabe que, se eleito for, nem de longe votará ou decidirá nada a respeito de casamento gay;
Quarto: como ele é professor universitário e bem esclarecidinho, sabe e tem plena consciência do engano que faz aos irmãos no púlpito da igreja utilizando a bênção do ministério ou conselho de ministros;
Quinto: o candidato deveria levantar a bandeira era contra a pedofilia no Maranhão, especialmente em Imperatriz, onde empresários, políticos e outros bichos são fãs de carteirinha e morrem de medo do Magno Malta e da Patrícia Gomes;
Já estou preocupado com outros discursos que ouvirei ao longo de outras campanhas vindouras.
Somente escrevi porque fiquei profundamente indignado com essa atitude e acredito que o ministério da igreja irá tomar providências cabíveis no sentido de orientar o seu candidato a proceder eticamente.
Um comentário:
Você fala do Irmão Moabe? vou levar o caso ao Pr. Raul, pois acho que ele nem sabe disso.
Xavier - xavekimp@gmail.com
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